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Próprias Palavras

  • cocatrevisan
  • 16 de jul. de 2023
  • 2 min de leitura

Parece ser uma banalidade, mas trata-se de coisas e palavras raras.

Ora, evidente que tudo que falo sai da minha boca e portanto são minhas palavras.

Minhas.

Somente minhas.

Será?

Ledo engano.

Sim, são palavras ditas por você ou por mim mas são aquelas que realmente desejávamos dizer?

Ah, e tem as mentiras...

Um dos mestres clássicos da literatura russa, Ivan Turguêniev(1818-1883) descreveu em "Ninho de Fidalgos" a personagem Liza como uma fidalga sem poder em suas palavras.

Apesar da época difícil para as mulheres, Liza relutava e desejava encontrar suas palavras próprias assim como uma amiga que falou o mesmo para seu noivo.

Na verdade não precisamos de exemplos do século XIX e da Rússia Czarista, basta voltar ao Brasil do século passado onde as mulheres nas décadas de 20, 30...50 eram como a Macabéa de Clarice Lispector, "meio gente", bloqueadas numa sociedade machista e super conservadora que podava a classe feminina.

Pessoas que não tiveram a oportunidade de divulgar suas próprias palavras e muito menos direitos de votos. Viviam reclusas quase como irmãs carmelitas da mesma forma como Liza encerrou sua vida tornando-se freira depois de desgostos amorosos.

Liza seguiu sem questionar regras aceitando o destino, sim, engolindo um destino fabricado para ela.

As palavras já estavam ditadas e definidas e não restava outra opção a não ser obedecer como pessoas "sem palavras".

Como adultos obrigados a dizer o que não querem e desistir de seus sonhos.

Porém aqueles que não esmorecem, os passarinhos de Mário Quintana, esses glorificam nossas esperanças.

Uma resposta à teoria da Comunicação Espiral do Silêncio, aquela que revela a ganância "deles". Relembrando, uma teoria que deflagra como somos obrigados a ficar calados quando discordamos dos opositores.

Porém, atenção, como dizia Gal Costa em seus manifestos, é preciso estar atento e forte, pois somos de outra esfera e respeitamos a voz do outro.

Nicolau Copérnico(1473-1543) disse certa vez que não era tão apaixonado por suas palavras de forma que ignorasse a voz do opositor e Voltaire foi definitivo quando disse que quando discordava de uma opinião, defenderia a ideia contrária até sua morte.

O que desejamos? O respeito à nossas palavras assim como respeitamos a do oponente, um respeito digno convergente ao esclarecimento de Kant.

Como o escritor Peter Sloterdijk dizia em sua "mobilização infinita", afinal o movimento não cessa nunca.

Além do mais, às vezes, eu prefiro dizer o contrário do que disse antes, já dizia outro poeta que nasceu há 10000 mil anos atrás...

 
 
 

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