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Sentado a Beira do Caminho

  • cocatrevisan
  • 26 de jun. de 2023
  • 2 min de leitura

Vou ser sincero.

Estive visitando minha cidade no mês passado e fui num bar de uma amiga de mais de 40 anos.

Sempre visito Santa Maria, apesar da minha família já estar "dilacerada", minha mãe e dois irmãos já partiram, mas sei que vou reencontrá-los, Jesus prometeu...

Eis o mistério da fé.

Enquanto viver como um ser humano, não tem jeito, a ordem é superar barreiras cotidianas. Sim, sei, tem dias que o desânimo bate em nossa porta e meu segredo para esses malditos dias é saber que se já tive dias felizes, então é porque eles existem.

Simples assim.

E lembrar teses de Heidegger, se sempre tivermos sucesso em nossas pescarias qual a motivação para voltar a beira do rio?

Que coisa, o fracasso é necessário.

Mas naquela noite no bar da Lurdinha, encontrando velhos amigos e amigas senti nuances existenciais e lembranças como "apocalipses alegres" (título de um próximo texto). Sempre lembrando que apocalípse significa renovação.

Depois de saborear vinhos dos Deuses escutando Raul Seixas, Belchior, Bob Dylan, Beatles, Led Zepelin entre outros clássicos, percebo que às pescarias trazem realmente momentos apocalípticos.

Sentado a beira do caminho reafirmo palavras de outra amiga de mais de 5 décadas, "parece que a maturidade e a velhice não são tão diferentes como imaginávamos na infância e adolescência".

Evidente, perdemos essências mas recebemos outras. É o baile da vida.

Filósofos dizem que aceitar perdas garante resultados positivos e Freud disse certa vez que sempre haverá outro objeto ou algo a ser desejado enquanto a doença chega para aqueles que continuam amando o que foi perdido.

Com certeza objetos não são pessoas...

Já estou enrolando porque escrevi esse texto quase dormindo, agradecido, embalado por vinhos Dele.

Queria falar apenas sobre a vida, existências...sei lá...

Revelar a necessidade de sair da Caverna de Platão.

Agradecer a sorte, se bem que sorte para uns pode ser o azar de outros e vice-versa. Esses dias vi o filme "A Tragédia do Titanic", uma produção de 1958, não aquele onde Leonardo Di Caprio se imagina um pássaro, o que não se confirmou pois se fosse se salvaria do naufrágio, não é mesmo?

No filme, dois casais conversam num vagão de trem. Um deles está indo para embarcar no infundável navio quando o outro diz "ó como o invejo, dizem que o navio é uma cidade flutuante, símbolo do progresso e vitória do homem sobre a natureza".

Esqueceram de avisar a dona natureza.

Eis histórias dos bares e das beiras dos rios que passam em nossas jornadas, rios com ou sem horizontes...

E sentado a beira do caminho, refletindo sobre a vida (e a morte) concordo com o saudoso Erasmo Carlos.

 
 
 

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